A websérie “O Brasil que o Brasil não conhece”, do Confea, chega a Uiramutã, no extremo norte de Roraima. O município aparece como o pior do país para se viver, de acordo com o Índice de Progresso Social (IPS), um diagnóstico que afeta diretamente a vida de cerca de 15,5 mil pessoas, que convivem diariamente com as consequências dessa realidade. O IPS avalia três dimensões principais: necessidades humanas básicas, fundamentos do bem-estar e oportunidades, sendo esta última a que registrou o pior desempenho em Uiramutã. O resultado expõe a falta de acesso a condições essenciais para o desenvolvimento social e econômico da população local.
“Sabemos que, se houvesse mais engenharia em Uiramutã, os indicadores seriam mais positivos, com impactos diretos na qualidade de vida da população”, avalia o presidente do Confea, eng. telecom. Vinicius Marchese. O município se destaca por ter a maior proporção de população indígena do Brasil, além de ser também o mais jovem do país, características que tornam ainda mais urgente a implementação de políticas públicas estruturantes e soluções técnicas voltadas ao desenvolvimento sustentável.

Uiramutã também reúne expressivo potencial turístico, impulsionado por suas cachoeiras e por sua localização estratégica na fronteira com a Guiana e a Venezuela. O município abriga o Monte Roraima, um dos principais destinos de ecoturismo do país, que recebeu cerca de 16 mil turistas em 2024, além do Monte Caburaí, conhecido como o ponto mais setentrional do Brasil. No entanto, esse potencial fica comprometido pela precariedade da infraestrutura viária: durante o período chuvoso, que se estende por cerca de cinco meses, as estradas se tornam intransitáveis, praticamente desaparecem, assim como as pontes são levadas pelas enxurradas. O resultado é um isolamento forçado da população, que enfrenta a suspensão das aulas, dificuldades de acesso aos serviços de saúde e sérios obstáculos para o transporte de alimentos e insumos básicos.

Essa imersão pelo Norte do país integra a websérie documental “O Brasil que o Brasil não conhece” e faz parte dos trabalhos preparatórios para o Infra-BR - Índice Confea de Infraestrutura do Brasil, atualmente em desenvolvimento. A iniciativa tem como base IPS e tem como objetivo subsidiar a tomada de decisões, a partir de diagnósticos técnicos sobre infraestrutura e desenvolvimento no país.
Sobre o IPS e o Infra-BR
Presente em 170 países e referência internacional para a construção do Infra-BR, o IPS Brasil é utilizado no país há 11 anos. A metodologia foi aplicada nas edições IPS Amazônia de 2014, 2018, 2021 e 2023, além das edições IPS Brasil de 2024 e 2025, contribuindo para a identificação e a análise de dados relacionados às desigualdades sociais e ambientais no território brasileiro, bem como para a mensuração da qualidade de vida nos municípios.
Desde o final de 2025, o IPS Brasil passou a subsidiar o Índice Confea de Infraestrutura do Brasil (Infra-BR), em conjunto com a metodologia da American Society of Civil Engineers (ASCE). O Infra-BR tem como objetivo ser uma base estratégica de dados voltada ao direcionamento de investimentos em infraestrutura, disponibilizada a gestores públicos e formuladores de políticas em todo o país.
Fonte: Confea




